Até quando vamos aceitar?

Vivemos em uma sociedade profundamente hipócrita.
Falamos em Deus, Pátria e Família. Defendemos valores, moral e bons costumes. Mas, quando olhamos para a realidade, muitas vezes encontramos justamente o contrário daquilo que pregamos.
Depois, reclamamos do governo. Reclamamos dos políticos. Reclamamos da corrupção, da impunidade, da falta de respeito às leis e de tudo aquilo que parece estar errado no nosso país.
Mas será que o problema está apenas lá?
Ou será que também está em nós?
A hipocrisia está diretamente ligada ao ego, ao dinheiro e ao poder. E, muitas vezes, aparece justamente quando acreditamos que determinada regra deve valer para os outros, mas não para nós.
Até quando vamos continuar normalizando isso?
Até quando vamos olhar para políticos fazendo o que é errado e aceitar tudo como se fosse normal?
Mas não se engane: eu não estou falando apenas de políticos.
Estou falando de todos nós.
Da pessoa que fura uma fila porque “é só dessa vez”.
Daquela que oferece dinheiro para conseguir uma vantagem.
De quem encontra uma brecha na lei e pensa: “Se todo mundo faz, eu também posso fazer”.
De quem condena a corrupção quando ela envolve milhões, mas considera aceitável uma pequena vantagem quando é beneficiado.
A corrupção não começa nos grandes escândalos.
Ela pode começar nas pequenas escolhas que fazemos todos os dias.
Existe o chamado “jeitinho brasileiro” para quase tudo.
E talvez esse seja um dos maiores problemas: transformamos o errado em esperteza, a desonestidade em inteligência e o cumprimento das regras em ingenuidade.
Até quando?
Até quando vamos aceitar viver nessa verdadeira “Casa da Mãe Joana”?
Por quanto tempo ainda vamos ensinar às próximas gerações que ser esperto é passar os outros para trás?
Que ser honesto é ser bobo?
Que respeitar as regras é coisa de quem não sabe “se virar”?
Que futuro estamos construindo para a nossa posteridade?
Talvez a mudança que tanto cobramos dos outros precise começar dentro de cada um de nós.
Precisamos entender que ser diferente não é ser bobo.
Que ser correto não é ser fraco.
Que ser honesto não é ser palhaço.
E que respeitar as regras não deveria ser motivo de vergonha.
Os valores foram invertidos.
E talvez o primeiro passo para colocá-los novamente no lugar seja reconhecer que o problema não está apenas nos outros.
Está em nós também.
A mudança que esperamos do país precisa começar naquilo que fazemos quando ninguém está olhando.
Porque, no fim das contas, uma sociedade só muda quando seus cidadãos também decidem mudar.




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