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Para onde foi o tempo? Por que parece que os anos estão passando cada vez mais rápido

Foto do escritor: Vinícius Nunes
Vinícius Nunes
22 de set.
3 min de leitura


Você já teve a sensação de que o ano acabou antes mesmo de começar?


De repente, estamos em setembro. O Natal está se aproximando. As férias ficaram para trás. E aquilo que parecia ter acontecido há poucos meses, na verdade aconteceu há anos.


Essa sensação de que o tempo está passando cada vez mais rápido parece ter se tornado comum.


Um vídeo publicado pelo psicólogo e criador de conteúdo Jean Lucas (@psi.jeanlucas) chama atenção justamente para essa percepção e levanta uma reflexão interessante: talvez não seja apenas o tempo que esteja passando mais rápido.


Talvez a nossa maneira de viver tenha mudado.


Quando o tempo tinha mais "marcos"


Durante muito tempo, a vida era organizada por acontecimentos que ajudavam a marcar a passagem dos anos.


Aniversários, festas de família, formaturas, casamentos, viagens, férias, encontros e outras tradições funcionavam como verdadeiros pontos de referência na memória.


Havia uma sensação de começo, meio e fim.


O problema é que a vida contemporânea parece cada vez mais contínua. Trabalho, celular, redes sociais, mensagens, vídeos, notificações e compromissos se misturam em uma sequência praticamente sem interrupção.


Um dia começa e termina. Outro começa logo depois. E muitas vezes não existe um momento de pausa suficiente para perceber que algo mudou.


O mundo não para


Uma das ideias apresentadas no vídeo é justamente essa exposição constante ao fluxo do mundo.


Estamos sempre recebendo informações.


Uma notícia aparece na tela. Depois vem uma mensagem. Em seguida, uma publicação, um vídeo, uma cobrança, uma tarefa ou uma nova informação.


Quando percebemos, horas passaram.


E não é apenas a quantidade de coisas que fazemos. É também a quantidade de estímulos que recebemos enquanto fazemos essas coisas.


O resultado pode ser uma vida aparentemente cheia, mas com poucos momentos realmente marcantes.


Por que a infância parecia durar tanto?


Talvez seja por isso que muitas pessoas tenham a impressão de que a infância demorava muito mais.


Quando somos crianças, praticamente tudo é novidade.


Uma festa de aniversário, uma viagem, o primeiro dia de aula, as férias, um passeio com a família ou até uma simples brincadeira podem se transformar em acontecimentos importantes para a memória.


Na vida adulta, por outro lado, muitos dias acabam sendo parecidos.


Acordar, trabalhar, voltar para casa, olhar o celular, dormir e repetir.


Quando os dias se tornam muito semelhantes, nossa memória pode ter menos acontecimentos distintos para usar como referência. Olhando para trás, parece que meses ou até anos desapareceram rapidamente.


Os pequenos rituais podem ser importantes


O vídeo também chama atenção para algo que pode parecer simples: os rituais.


Reunir a família para uma refeição, comemorar uma data, fazer uma viagem anual, encontrar os amigos ou simplesmente reservar um momento para não fazer nada podem funcionar como pequenas pausas na rotina.


Não se trata necessariamente de abandonar a tecnologia ou voltar a viver como décadas atrás.


Talvez seja mais simples do que isso.


É preciso criar momentos que tenham significado.


Porque, no fim das contas, não conseguimos controlar a passagem do tempo. Mas podemos escolher um pouco melhor aquilo que fazemos com ele.


Talvez o problema não seja o tempo


Quando chegamos ao final de um ano e pensamos "parece que ontem era janeiro", talvez valha a pena fazer uma pergunta diferente.


Não apenas:


"Por que o tempo está passando tão rápido?"


Mas também:


"O que aconteceu durante esse tempo que eu vou lembrar?"


Talvez desacelerar não signifique fazer tudo mais devagar.


Talvez signifique prestar mais atenção.


Guardar o celular durante uma refeição. Conversar sem olhar para a tela. Fazer uma caminhada sem precisar registrar tudo. Criar uma tradição familiar. Viajar. Encontrar alguém que não vemos há muito tempo. Sentar por alguns minutos e simplesmente observar o dia.


São pequenas coisas, mas podem criar marcas na memória.


E talvez seja justamente isso que esteja faltando: mais momentos capazes de nos fazer perceber que estamos vivendo, e não apenas passando pelos dias.


Uma pergunta para você


Se alguém perguntasse hoje o que você fez nos últimos três meses, você conseguiria contar?


Ou teria a sensação de que tudo simplesmente aconteceu rápido demais?


Talvez essa seja uma boa oportunidade para parar por alguns minutos e pensar: como você quer se lembrar deste ano quando chegar 2027?

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