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Backrooms: muito hype para pouco resultado?

  • Foto do escritor: Vinicius Nunes Jornalismo
    Vinicius Nunes Jornalismo
  • há 6 dias
  • 3 min de leitura


Faz tempo que não assisto a filmes de terror, mas houve um hype muito intenso em torno do longa Backrooms, dirigido pelo youtuber e cineasta Kane Parsons, conhecido na internet como Kane Pixels. Ele começou a publicar, ainda adolescente, uma série de vídeos sobre os Backrooms no YouTube, em 2022.


O conteúdo rapidamente se tornou um fenômeno na internet e chamou a atenção de Hollywood, até chegar à A24, que transformou a ideia em um longa-metragem. Backrooms marca a estreia de Parsons na direção de um filme para os cinemas.


O fenômeno nas redes sociais ajudou a criar uma enorme expectativa em torno do filme e, consequentemente, levou muitos espectadores às salas de cinema. E, sinceramente, ver o cinema ganhando mais espectadores é algo muito animador.


Não criei muitas expectativas a respeito do filme. Só vi o trailer e achei interessante. Consegui acesso ao longa e fui assisti-lo em um final de semana.



O que eu vi foi um filme com um roteiro bem mais ou menos, um desenrolar da história quase na velocidade de -0,5% e atuações muito sem graça.


O filme é do gênero terror, mas pega muito mais pela parte psicológica da coisa. Não tem aqueles elementos tradicionais de fantasmas, aparições de entidades e coisas do tipo. A proposta está muito mais relacionada à sensação de estar preso em um lugar estranho, desconhecido e aparentemente sem saída.


Mas nem tudo são espinhos.


Achei a trilha sonora assustadoramente bem elaborada, com elementos de instrumentos de cordas e outros recursos sonoros que ajudam a construir a tensão e deixam alguns momentos de clímax bem trabalhados.


Os cenários são muito claustrofóbicos. Para quem não gosta nem de olhar para espaços fechados, o filme pode causar um certo desconforto. A fotografia também é muito bonita, mas nada que faça o filme ganhar mais pontos, pelo menos comigo.


Backrooms é aquele tipo de filme que chama atenção também pelo caminho que percorreu até chegar ao cinema. A produção nasceu de uma ideia que ganhou força na internet e foi desenvolvida por um jovem criador que construiu uma enorme audiência no YouTube antes de chegar a Hollywood. A série original de Kane Parsons utilizava estética de found footage e ambientes digitais para criar uma sensação de estranheza e isolamento.


E aqui está, talvez, uma das explicações para todo o hype.


Os chamados Backrooms são um conceito que surgiu na cultura de internet e se espalhou principalmente por fóruns, redes sociais e comunidades dedicadas a histórias de terror. A ideia gira em torno de espaços liminares — lugares aparentemente comuns, mas estranhamente vazios, repetitivos e desconfortáveis. O conceito ganhou força como uma creepypasta e passou a receber inúmeras interpretações e histórias criadas pelos próprios usuários da internet.


Kane Parsons pegou esse conceito e transformou-o em uma série de vídeos que viralizou. O primeiro curta, The Backrooms (Found Footage), publicado no YouTube em 2022, alcançou milhões de visualizações e ajudou a consolidar a estética dos Backrooms como um fenômeno da cultura digital.


Depois disso, a ideia ganhou uma produção cinematográfica de grande porte, com nomes como Chiwetel Ejiofor, Renate Reinsve e Mark Duplass no elenco e distribuição da A24.


E é justamente aí que entra uma questão interessante: Backrooms mostra que uma ideia nascida na internet pode sair de um computador, ganhar uma comunidade gigantesca e finalmente chegar às salas de cinema.


Esse é aquele filme de baixo orçamento que conseguiu uma ótima arrecadação. O longa teve um orçamento estimado em cerca de US$ 10 milhões e arrecadou centenas de milhões de dólares mundialmente.


Acredito que muitas obras ainda vão surgir desse movimento. Até porque, convenhamos, o cinema está passando por uma crise de criatividade monstra.


Talvez a internet esteja se tornando justamente um dos lugares onde Hollywood vai buscar essas novas ideias. Criadores independentes já conseguem construir público, testar conceitos e desenvolver universos inteiros antes mesmo de chegarem aos grandes estúdios.

E isso pode ser muito interessante para o cinema.


Mas, voltando ao filme...


Em uma avaliação geral:

Roteiro: muito fraco

Atuações: muito sem sal

Fotografia: boa

Trilha sonora: bem elaborada

Ambientação: muito boa

Talvez esse seja um filme para uma galera que sente a situação, entra na vibe e consegue comprar a proposta. Nesse caso, o resultado pode ser satisfatório.


Para mim, entretanto, ficou uma sensação de que a ideia era muito maior do que o filme conseguiu entregar.


E o que me deixou um pouco confuso é justamente isso:

Por que tanto hype para isso?



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